quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Convite




No dia 4 de Dezembro às 16h será inaugurada, no Panteão Régio do Mosteiro de Alcobaça a exposição de 12 ícones da autoria de Isabel Sales Henriques. A exposição fica patente até 28 de Fevereiro de acordo com o horário do Mosteiro, das 9h às 17h.


Apresentação

Após alguns anos de dedicação à pintura de aguarela e várias exposições quase todas elas bem sucedidas, descubro a pintura dos ícones.

O deslumbramento, até certo ponto inesperado, que essa descoberta provocou em mim, deve-se aos contactos que a partir de 2003 tenho tido com o Mosteiro ortodoxo de St. Michel du Var no Sul de França.

Desde muito cedo que me sinto atraída por aquilo a que hoje consigo chamar «o poder da imagem».

Fascina-me a sua transparência à verdade do que sentimos, de forma mais ou menos consciente, e por isso sempre defendi que com as imagens é muito difícil, se não mesmo impossível, mentir.

Por razões profissionais, vivi dois anos na Suécia onde tive ocasião de receber formação em comunicação social e pedagogia da imagem, na Universidade de Estocolmo. Uma experiência de grande riqueza que serviu para confirmar através de razões técnicas e cientificas, aquilo que sempre tinha sentido desde criança.

E, assim se preparou o terreno para a «sementeira» e «cultura» dos ícones - essa escrita com imagens.

O desejo aprofundar esta escrita com imagens, «a icono – grafia»,levou-me a frequentar várias oficinas orientadas por um iconógrafo russo, autor dos ícones da Igreja do Mosteiro de St. Michel du Var.

À medida que tenho vindo a desenvolver a pratica desta pintura, e a fazer alguma investigação sobre uma tradição tão marcante do cristianismo e que remonta às suas origens, torna-se cada vez mais claro, que não podemos dissociar a palavra da imagem.

Sem imagens não podemos pensar nem comunicar.

Haverá que ter cuidado:

“ Que o Homem não separe aquilo que Deus uniu.”

sábado, 20 de novembro de 2010

Texto de introdução


O Ícone – Espelho do Invisível e

Escola do Olhar

A palavra ícone, do grego eikon, tem servido, desde os primeiros tempos do cristianismo para designar as imagens de Cristo, de N. Senhora e dos Anjos que eram utilizadas nos atos litúrgicos ou veneradas como objetos de culto em casa dos crentes.

De acordo com os princípios da tradição, o ícone não deverá nunca ser considerado como um mero objeto de decoração, nem sequer como uma simples ilustração das Sagradas Escrituras.

O ícone é algo mais: um equivalente da mensagem evangélica indissociável da vida litúrgica; destina-se a re-presentar (tornar presente) uma realidade que está para além do visível e, nessa medida nos convida a entrar no nosso silêncio interior.

Na actualidade,uma das suas principais funções é a de nos ensinar a descobrir a novidade naquilo que há de mais antigo.

A sua execução, habitualmente feita em oficinas ligadas a mosteiros ortodoxos, obedece, há vários séculos, a um conjunto de regras carregadas de simbolismo, muito próximas de um ritual.

Os materiais usados são todos naturais: pranchas de madeira (cobertas com uma preparação de cola de pele de coelho e cré); ouro (em folha ou em pó); pigmentos minerais ou vegetais; gema de ovo (para a tempera) e cera de abelha(para a cera encáustica).

Os ícones expostos foram todos executados a tempera e folha de ouro sobre madeira preparada excepto um, que foi executado tal como o original, a cera encáustica (Cristo do Mosteiro de St.ª Catarina -Monte Sinai – séc. VII).