Após alguns anos de dedicação à pintura de aguarela e várias exposições quase todas elas bem sucedidas, descubro a pintura dos ícones.
O deslumbramento, até certo ponto inesperado, que essa descoberta provocou em mim, deve-se aos contactos que a partir de 2003 tenho tido com o Mosteiro ortodoxo de St. Michel du Var no Sul de França.
Desde muito cedo que me sinto atraída por aquilo a que hoje consigo chamar «o poder da imagem».
Fascina-me a sua transparência à verdade do que sentimos, de forma mais ou menos consciente, e por isso sempre defendi que com as imagens é muito difícil, se não mesmo impossível, mentir.
Por razões profissionais, vivi dois anos na Suécia onde tive ocasião de receber formação em comunicação social e pedagogia da imagem, na Universidade de Estocolmo. Uma experiência de grande riqueza que serviu para confirmar através de razões técnicas e cientificas, aquilo que sempre tinha sentido desde criança.
E, assim se preparou o terreno para a «sementeira» e «cultura» dos ícones - essa escrita com imagens.
O desejo aprofundar esta escrita com imagens, «a icono – grafia»,levou-me a frequentar várias oficinas orientadas por um iconógrafo russo, autor dos ícones da Igreja do Mosteiro de St. Michel du Var.
À medida que tenho vindo a desenvolver a pratica desta pintura, e a fazer alguma investigação sobre uma tradição tão marcante do cristianismo e que remonta às suas origens, torna-se cada vez mais claro, que não podemos dissociar a palavra da imagem.
Sem imagens não podemos pensar nem comunicar.
Haverá que ter cuidado:
“ Que o Homem não separe aquilo que Deus uniu.”